Sérgio Botelho* – Atualmente, quem passa na região do antigo Ponto de Cem Reis, em processo de reforma, avista outros dois prédios marcantes da cidade que também sofrem intervenção: o da antiga loja As Nações Unidas e o que serviu ao Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado (Ipase).
Neste domingo, aproveito para falar sobre o de As Nações Unidas, inaugurado em setembro de 1958, pela Tecidos Cardoso S/A, conforme nota em A União, edição de 25 de setembro daquele ano, ressaltando a “excelente contribuição” do prédio, “ao progresso urbanístico da cidade”.
O edifício da loja As Nações Unidas, inspirado no que servia de endereço à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (EUA), efetivamente acabou compondo um conjunto de outras iniciativas, em pedra e cal, nas décadas de 1950 e 1960, visando mudar a fisionomia urbana da cidade.
Dos tempos de criança, já que morava bem perto, lembro que a antiga Loja As Nações Unidas, no Centro de João Pessoa, foi mais do que um ponto de compras. Ela virou um programa de domingo, quando muitas famílias se demoravam para apreciar as vitrinas das Nações Unidas, conforme todos se referiam à loja.
O atrativo principal, porém, estava no detalhe. As vitrines eram “sempre ornamentadas”, com maior capricho nos fins de semana, e exibiam “as últimas da moda”. Em uma João Pessoa que ainda tinha poucos pontos de consumo com esse padrão, a vitrine funcionava como passarela pública.
Essa cena fazia sentido ao lado do Cine Plaza, que sustentou por décadas a imagem do cinema “chique” do Centro. E o Plaza organizava o tempo social do domingo com as sessões anunciadas como matinée e soirée, normalmente anunciadas nos jornais.
Para completar, havia sempre um lanche rápido no Ponto Chic, do Ponto de Cem Reis, com destaque para a cartola, o cachorro-quente e o caldo de cana. Era uma época em que a cidade tinha um ritmo bem mais lento, gostos mais simples e as famílias, em sua maioria, residiam mesmo ali por perto.