quinta-feira, 3 de abril de 2025

A Nau Catarineta, em Cabedelo

8, outubro, 2024

A Nau Catarineta é uma dança tradicional portuguesa que chegou ao Brasil no século XVIII. Romance popular em Portugal, com o título de A Nau Catrineta, se inspira nas tragédias marítimas comuns na história portuguesa. O escritor e teatrólogo lusitano Almeida Garrett (1799-1854) atribui a origem da história ao naufrágio da nau Santo António, ocorrido em 1565.

A trama é conhecida por sua natureza teatral e dramática, contando justamente histórias de uma tripulação em alto mar por meio de cantos e encenações. No enredo, tempestades, naufrágios, fome, sede, e a saudade de casa. Na Paraíba, o folclore resiste, com tradição centenária, na cidade de Cabedelo, onde é patrimônio cultural e imaterial do município.

A Fortaleza de Santa Catarina costuma servir de palco para a apresentação do grupo. Em 1938, quando de sua passagem pela Paraíba, coordenando a Missão de Pesquisas Folclóricas, que percorreu o Brasil, o escritor, musicólogo e ativista cultural paulista, Mário de Andrade, registrou a Nau Catarineta. Papéis específicos no enredo são distribuídos com a tripulação. Alguns dos personagens mais comuns da Nau Catarineta são o tenente-general, o capitão-patrão, o imediato, o piloto, o capitão-de-artilharia, o médico, o capelão, o contramestre, o gajeiro, o vassoura e o ração.

Na versão paraibana existe a personagem Saloia, mulher que viajava escondida no porão do navio. Mesmo após ser descoberta, permaneceu protegida pelos marujos. A Nau Catarineta é acompanhada por música e cantos, que ditam o ritmo da dança e ajudam a contar a história. Os movimentos dos dançarinos imitam as atividades dos marinheiros a bordo, como puxar cordas, içar velas, e remar.

Pelo Brasil afora a dança tem nomes diversos, como fandango, marujada, a barca e chegança. Recolhido por Garret, e, no Brasil, musicado por Antônio Nóbrega, existe famoso poema anônimo chamado Nau Catarineta, que retrata as dificuldades e tragédias da vida no mar. A continuidade dessa tradição evidencia a riqueza do nosso patrimônio cultural.

A xilogravura retrata a Nau Catarineta, com a figura feminina em destaque.