segunda-feira, 16 de março de 2026

A Paraíba na Revolução de 1817

16, março, 2026

Sérgio Botelho* – O mês de março de 1817 foi particularmente importante para a urdidura do movimento historicamente conhecido como Revolução de 1817 ou Revolução Pernambucana de 1817 ou Revolução dos Padres.
Segundo linha do tempo no documento A Revolta, da Biblioteca Nacional, já em 1 de março daquele ano, o governador pernambucano Caetano Pinto de Miranda Montenegro recebeu denúncias sobre a sedição.

Naquele momento, havia enorme insatisfação das próprias classes dominantes nordestinas com relação ao domínio português, principalmente por força de uma crise econômica no comércio do açúcar e do algodão.

O que os revolucionários de 1817 desejavam atingia diretamente o poder da Coroa. Eles queriam a separação do Brasil com relação a Portugal e a instalação de um governo republicano, sem, contudo, mexer no sistema escravocrata.

Naqueles primeiros dias de março a situação escalou rapidamente. Em 6 de março, após reunião do Conselho de Guerra, é decretada a prisão dos cabeças. A reação dos revoltosos faz a revolução estourar em Recife.

Reagindo à prisão, o capitão José de Barros Lima, o Leão Coroado, terminou matando o seu superior, o brigadeiro Barbosa de Castro. Também foi morto o brigadeiro Salazar e auxiliares do governador. No fim do dia, 20 mortos.

Já no outro dia, em 7 de março, o novo poder republicano é instalado, com divisão de poderes, inspirada nas Revoluções Francesa e Americana, com direito já ao esboço de uma nova bandeira.

Na linha do tempo traçada no documento da Biblioteca Nacional, a partir de uma exposição feita pala instituição, o dia 16 de março é tido como o da adesão da Paraíba ao movimento.

O ato paraibano teve a participação de Amaro Gomes Coutinho, José Peregrino Xavier de Carvalho, padre Antônio Pereira de Albuquerque e Inácio Leopoldo de Albuquerque Maranhão, segundo o documento da BN. (Aí, faltando no nome do militar e proprietário rural Francisco José da Silveira).

Com a derrota do movimento, os paraibanos foram executados em 21 de agosto de 1817 pela Coroa.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
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