Semana passada registrei em foto a execução de trabalhos no belo coreto da Praça Venâncio Neiva, no Centro Histórico de João Pessoa. Não canso de admirar o local que considero um dos mais singulares da cidade.
Minha admiração não se limita ao coreto, uma obra admirável do arquiteto italiano Pascoal Fiorillo, mas ao conjunto da obra, que inclui as balaustradas, os jardins e o impactante Pavilhão do Chá. A praça, que homenageia o primeiro governador paraibano pós-República, deposto durante o descontrole político nacional que se seguiu à queda de Deodoro da Fonseca, ela não foi equipada originalmente com o pavilhão.
A primeira versão, ainda em 1917, quando de sua inauguração, reservava àquele espaço um rinque de patinação, o que revela uma certa inclinação por costumes modernos da então cidade de Parahyba. O governo era o de Camilo de Holanda.
Após a posse de João Pessoa, em 1928, gostos britânicos do novo presidente do estado apontaram para uma reformulação do projeto original. Assim, ao invés da área recreativa, entraria em cena um pavilhão destinado a chás da tarde. O estilo oriental do prédio celebra, por isso, a origem chinesa do chá.
Como cruel ironia do destino, João Pessoa, assassinado em julho de 1930, não conheceu o pavilhão pronto e funcionando, o que só foi concretizado em 1931, no governo Antenor Navarro, tendo ao longo do tempo uma utilização errática.
Para os próximos dias, desde que dê certo os propósitos do Sistema S, o pavilhão, a exemplo do que está acontecendo com o coreto, deve sofrer intervenção e passar por mais uma requalificação. E só Deus sabe a necessidade de que vingue!
(NOTA. A União Brasileira de Escritores, seção Paraiba, na qual fui recebido em junho de 2025, está passando por reordenamento institucional. Mando votos de sucesso ao presidente Luiz Paiva torcendo para que o processo resulte numa UBE-PB cada vez mais forte).