terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A praça e o primeiro governador republicano da Paraíba

27, dezembro, 2025

Não me canso de admirar o belo Pavilhão do Chá (na foto), lamentando seu abandono como equipamento comunitário; embora, pelo que andam dizendo, próximo de novas ações do poder público visando seu reaproveitamento. Ele fica na Praça Venâncio Neiva.

A história de Venâncio Neiva, figura que nomeia a praça, necessita de um breve preambulo. Em 15 de novembro de 1889, os militares derrubaram o gabinete do Visconde de Ouro Preto, destituíram Dom Pedro II de suas funções monárquicas, mandaram a família real para o exílio na Europa, e proclamaram a República.

Comandante de maior expressão no movimento, assumiu a presidência o general alagoano Deodoro da Fonseca, tendo como vice o conterrâneo Floriano Peixoto. Então, foi convocada a Constituinte que elaborou a primeira Constituição republicana, a de 1891, e ajustou, constitucionalmente, as funções da dupla.

Na sequência, insatisfeito com as disputas institucionais subsequentes, incluídas as da economia, por conta de um excesso de crédito no mercado, Deodoro promoveu um golpe dentro do golpe. Foi quando dissolveu o Congresso iniciando carreira solo, como pretendente a ditador.

Contudo, não teve vida fácil, já que houve bastante resistência à sua pretensão, tanto no campo civil quanto no militar, que terminou produzindo a sua (de Deodoro), queda, em 23 de novembro de 1891. No lugar, assumiu o vice-presidente Floriano Peixoto, que promoveu mudanças políticas em todo o país.

Postas essas preliminares, chegamos à Paraíba de novembro de 1891, onde governava o magistrado Venâncio Neiva, alçado ao cargo, logo depois de instalada a República, pela força de seu irmão, o general Tude Neiva, e de outro colega de posto, o general Almeida Barreto. Ambos, paraibanos, heróis da Guerra do Paraguai e de forte prestígio nas Forças empoderadas.

Em 27 de novembro de 1891, entretanto, no bojo das mudanças nacionais descritas no texto, Venâncio Neiva foi substituído por uma junta governativa. Insatisfeito, e para não sair por baixo, ensaiou resistência. Findou tirando uma licença sem vencimentos de 90 dias, se mandando da Paraíba no rumo da capital da República. Acabara o seu governo. Tempos depois, teve a praça com seu nome. Afinal, o primeiro governador republicano da Paraíba.


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