Sérgio Botelho – A efetivação da Faculdade de Filosofia da Paraíba (depois, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras) somente aconteceu em 1952, quando foram ofertados cursos regulares.
Três anos depois, a instituição haveria de compor o conjunto de faculdades que deram origem à Universidade da Paraíba, que acabou tomando formato público estadual. Foi o embrião da Universidade Federal da Paraíba. Contudo, sua existência estava prevista já na Constituição Estadual de 1947.
Seus idealizadores entenderam que não dava mais para depender só das “importações” de professores e quadros intelectuais. Havia urgência na formação de professores no estado, mesmo.
A criação oficial veio com o Decreto Estadual nº 146, de 5 de março de 1949. A organização se consolidou depois pela Lei Estadual nº 341, de 1º de setembro de 1949. Funcionamento, mesmo, como já disse, só em 1952.
Mas além de formar docentes para o ensino secundário, a FAFI, como logo ficou conhecida mais popularmente, se afirmou como núcleo de altas atividades culturais. Outro detalhe não menos importante é que a FAFI passou a ser um dos espaços mais possíveis de ascensão intelectual feminina em João Pessoa, num tempo em que outras carreiras ainda eram menos abertas às mulheres.
A FAFI se instalou no edifício onde hoje tem sede a Escola Cidadã Integral Técnica Olivina Olívia (onde também funciona um Centro de Referência da Educação de Jovens e Adultos), na Avenida Duarte da Silveira, ao lado do Liceu Paraibano. Mas muita gente ainda identifica o prédio como da “antiga FAFI”.
Sem esquecer que a década de 1960 carrega mais uma marca de memória, que foi a ativa participação dos estudantes da FAFI em movimentos de resistência ao regime após 1964, que inaugurou um longo período ditatorial no Brasil
Pois é, a gente passa por ali e nem sempre imagina que aquele prédio já abrigou debates, aulas e a construção de uma geração de professores e intelectuais.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor. https://paraondeir.blog/a-velha-fafi/