quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Ainda o 18 Andares

14, janeiro, 2026

Quem olha o edifício Presidente João Pessoa assim, cravado no Centro Histórico de João Pessoa, região onde predomina uma tradicional construção horizontal, percebe a desarmonia arquitetônica com o seu derredor.

A sensação é ainda maior por conta de o prédio estar localizado na mais antiga rua de João Pessoa, a atual General Osório (nascida Rua Nova) e na esquina com outro caminho urbano igualmente antigo composto pelo Beco da Misericórdia e a Ladeira da Carioca (artéria toda nomeada hoje como Rua Peregrino de Carvalho).

Contudo, o prédio, mais tradicionalmente conhecido como 18 Andares, tem um enredo que termina lhe reservando papel histórico específico, qual tenha sido o de marcar o início de uma pretendida verticalização da cidade.

Apesar de a avenida Epitácio Pessoa já ter sido, na época, pavimentada, e um certo movimento de ocupação urbana já mostrar a tendência de um deslocamento na direção do Leste, a modernização vertical da cidade parecia ser vocação do Centro.

Assim, ao menos na visão dos construtores do 18 Andares, uma obra erguida entre os anos de 1957 e 1962, sob os auspícios do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários (IAPB).

Para isso, foi ao chão o imóvel que sediava a Escola de Música Antenor Navarro e o Conservatório de Canto Orfeônico, uma casa de janelas, telhado e platibanda ao estilo de outras existentes na rua.
Como marcos históricos, além da altura, um verdadeiro arranha-céu, para os padrões pessoenses, ele acabou sendo celebrado como um sinal de progresso, inclusive no quesito moradia.

Seus ocupantes tiveram a chance de abandonar a tradição de residir em casas térreas para a de viver em apartamentos, tão ao costume das grandes cidades brasileiras, a exemplo da bem próxima Recife.

Mesmo enfrentando problemas de estrutura que, de vez em quando, implicam em mudanças nem sempre ao gosto dos moradores, o 18 Andares guarda décadas de história da cidade, com efeito simbólico especial a quem residiu no Centro da cidade.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.


https://paraondeir.blog/ainda-o-18-andares/ ‎