quinta-feira, 3 de abril de 2025

Almir: Apesar de machista, morreu por defender gays

14, março, 2025

A história que vou lhes contar não tem final feliz, mas trata de um dos maiores jogadores do futebol brasileiro – o mais completo depois de Pelé, segundo João Saldanha, o grande e verdadeiro técnico da seleção tricampeã de 1970 – e de um grande ser humano: o fenomenal atacante Almir.

Começou a carreira no Sport Recife e jogou, também, pelo Vasco, Corinthians, Boca Juniors (Argentina), Genoa (Itália), Santos, Flamengo e encerrou a trajetória em 1968, no América-RJ.

Era conhecido como violento (ele mesmo se considerava) e machão, mas protagonizou um episódio de profunda humanidade, que resultou na morte dele.

Na noite de 6 de fevereiro de 1973, num boteco ao lado do Bar Gerez, em frente à Galeria Alaska (conhecida como “barra pesada”), Almir estava numa mesa, com a namorada e um casal de amigos. Na mesa de trás, três portugueses. Na frente da mesa de Almir se encontravam atores gays do espetáculo “Dzi Croquetes”, ainda maquiados, depois de uma apresentação.

Os portugueses resolveram insultar os atores, chamando-os de viados e outras ofensas. Almir não gostou, tomou as dores e resolveu defender os atores, que não haviam reagido.

Começou a discussão. Almir agrediu um dos portugueses e um deles sacou um revólver; o amigo de Almir sacou outro e começou o tiroteio, no calçadão da Avenida Atlântica. Outros dois portugueses também sacaram as armas e foi correria geral. Mesas foram viradas e pelo menos 30 tiros foram disparados.

Ao final do tiroteio, o grande Almir estava morto, com um tiro na cabeça. Debaixo de um coqueiro, foi encontrado o amigo dele, com um tiro nas costas, e morreu ao dar entrada no hospital. Outro amigo de Almir também foi atingido quando fugia, o que desmente a alegação dos portugueses de que agiram em legítima defesa.

O caso terminou no esquecimento e nunca se teve mais notícia do assassino: Artur Garcia Soares.

Almir tinha 35 anos quando faleceu.