domingo, 22 de março de 2026

Arruda Câmara ou Arruda da Câmara

22, março, 2026

Sérgio Botelho* – Nos últimos textos, temos falado sobre o paraibano batizado Manoel Arruda da Câmara, assim grafado nos documentos oficiais, como na Biblioteca Nacional Digital, ou mesmo na Wikipedia.

Contudo, na esmagadora maioria das homenagens que lhe foram prestadas após a morte, seu nome perdeu o “da” Câmara para ficar apenas Arruda Câmara, que, por sinal, é o sobrenome legal do seu pai.
Com efeito, o pai, Francisco de Arruda Câmara, chegou ao governo de Pombal no momento que, em 04 de maio de 1772, a Povoação de Nossa Senhora do Bonsucesso ganhava o status de Vila Nova de Pombal.

Com o tempo, o nome do herói Arruda da Câmara foi sendo reduzido, no falar e nas homenagens públicas, para Arruda Câmara, forma mais curta, mais sonora e mais fácil de fixar, ganhando o reconhecimento histórico, nessa conformidade.

sso ajuda a entender por que a Biblioteca Nacional, no mesmo texto em que o apresenta como Manuel Arruda da Câmara, logo depois se refere a ele simplesmente como Arruda Câmara.

Ao fim e ao cabo, a retirada da partícula não compromete a identificação da família e ainda torna a forma mais curta e sonora. Assim, Arruda Câmara passou a circular com facilidade em placas, documentos públicos e referências orais.

Há também um fator de consolidação cultural. À medida que escolas, ruas, parques e instituições adotaram a forma abreviada, ela ganhou força e se fixou na memória coletiva. Enfim, a versão simplificada acabou se tornando mais conhecida do que o sobrenome de batismo.

Portanto, Arruda Câmara é uma forma abreviada e consagrada pelo uso. Já Manuel Arruda da Câmara permanece como a forma histórica e mais precisa do ponto de vista documental.
Importa saber como esse cidadão de Pombal, nascido em uma época de tantas dificuldades para quem era pobre e morava longe, se tornasse um cientista da dimensão que ele se tornou.

*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
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