A Avenida Miguel Couto, na parte alta do Centro Histórico de João Pessoa, é a única denominação urbana que liga diretamente a atual Rua Duque de Caxias e o Parque Solon de Lucena.
O principal prédio da Miguel Couto é a vetusta Igreja da Misericórdia, um dos marcos físicos que deram origem à cidade, da qual já falamos tanto, na esquina com a Duque de Caxias.
Ao longo do tempo, a Miguel Couto abrigou endereços muito festejados pela população pessoense. É possível citar o Restaurante Lido, que tinha endereço no mesmo local onde hoje se encontra o Shopping Terceirão.
Também abrigou a Sorvelanches 36 e Stop, a Parada do Sucesso, o moinho e comércio do Café Alvear, o Foto Condor, o velho Hospital de Ponto Socorro, além de icônicas barbearias que faziam a cabeça masculina na capital.
O cidadão reverenciado com o nome da via foi renomado médico, professor universitário e político no Rio de Janeiro, batizado Miguel de Oliveira Couto, que viveu entre maio de 1865 e junho de 1934.
A homenagem foi dada ao tempo do também médico Walfredo Guedes Pereira, então prefeito de João Pessoa, em 19 de agosto de 1935, por meio do decreto 338, publicado na edição de A União do dia seguinte.
Convém lembrar que Walfredo Guedes Pereira concluiu o curso médico na Faculdade Nacional de Medicina, em 1908, justamente onde Miguel Couto exercia a cátedra.
Couto, além de sua atuação na Saúde Pública, defendeu ardorosamente a criação do Ministério da Educação, concretizada no Estado Novo, e acabou eleito deputado na Assembleia Nacional Constituinte de 1934, instalada em novembro de 1933, tendo falecido antes do final dos trabalhos. Atualmente, a Miguel Couto inclui um viaduto, o Terceirão, construído pelo prefeito Dorgival Terceiro Neto, na década de 1970, que a liga diretamente à Rua Cardoso Vieira, na parte baixa da cidade.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
(Na foto, a Avenida Miguel Couto, tendo ao fundo o Parque Sólon de Lucena).