Sérgio Botelho* – Prossigo, neste domingo, 18, revisitando meus livros sobre histórias de João Pessoa. Até agora, foram três. Para março próximo, está programado um novo, com título em discussão.
Este segundo livro, João Pessoa – Uma Viagem Sentimental, foi lançado em fevereiro de 2025, honrosamente prefaciado, assim como os demais, pelo escritor, professor e poeta Hildeberto Barbosa Filho.
Nele, abordo amenidades pessoenses, locais de fortes conexões afetivas a muitos que viveram ou ainda vivem na cidade. Falo de festas tradicionais, de clubes, de bares, de restaurantes, de marcos de alegria na cidade.
Um dos textos aborda o velho Clube dos Diários (que se vê na imagem), da década de 1920, nas vizinhanças da antiquíssima Igreja da Misericórdia e do Cine Rio Branco (depois Rex), esquina da Peregrino de Carvalho com a Duque de Caxias.
Inaugurado à época do governo João Suassuna (1924-1928), ele, o aniversariante daquele dia (19 de janeiro de 1926), teve direito à aposição de uma imagem sua no salão de entrada.
O clube tomou o lugar de um sobrado, do qual foram aproveitadas as paredes, resultando num prédio “amplo e imponente que ostenta um maior efeito à noite, com o fulgor de sua iluminação interna”, conforme reportagem de A União.
Fundado um ano antes, a partir de um racha na direção do Esporte Clube Cabo Branco, com sede em Jaguaribe, o Clube dos Diários atraiu a chamada fina flor da sociedade da então cidade da Parahyba, atual João Pessoa. Seu primeiro presidente foi o prefeito da cidade, à época, João Maurício de Medeiros, que hoje dá nome à avenida litorânea do bairro de Manaíra, ele que, em sua administração municipal, deu grande atenção à orla pessoense.
No fim da década de 1930, o racha foi desfeito, e a sede do Clube dos Diários passou a ser ocupada oficialmente pelo Esporte Clube Cabo Branco. Ficou assim até o início dos anos 2000, quando uma crise no clube lançou o prédio a um limbo, ainda sem desfecho feliz. *Sérgio Botelho é jornalista e escritor