Sérgio Botelho* – Neste meu texto de hoje, segunda-feira, 19, revisito o meu último livro, João Pessoa Personagens no Tempo, o terceiro, lançado em abril do ano passado, feliz ou infelizmente, uma edição completamente esgotada (à luz de sugestões, em março, a Deus querer, tem outro livro, já em fase final de edição dos originais).
Da releitura da obra, aproveito para recuperar, brevemente, a história de um dos fundadores da Capitania da Paraíba, Duarte Gomes da Silveira, cujos restos mortais, segundo relatos históricos, foram sepultados em mausoléu na vetusta Igreja da Misericórdia.
Aliás, a referida Igreja, em estilo maneirista, portanto, do início da arquitetura barroca, foi obra financiada por Duarte da Silveira, assim como muitas das primeiras casas construídas na cidade. Casado com Juvência Tavares (também oficialmente sepultada no mesmo mausoléu), filha de João Tavares, primeiro capitão-mor da Paraíba, Silveira era natural de Olinda, nascido por volta de 1555. A partir de 1585, ele fundou engenho na Paraíba.
Na condição de senhor de engenho, atravessou todo o período de dominação holandesa na Paraíba, negociando interesses diretamente com o Conde Maurício de Nassau, fixado em Recife. Isso não impediu que Silveira experimentasse intercessões até judiciais por parte dos holandeses. Como nada ficou provado, ele voltou a dirigir o engenho paraibano, até a sua morte, em 1654, ainda com a Paraíba sob domínio batavo, que durou oficialmente entre 1634 e 1654.
Entre as casas que financiou a interessados em se mudar para a Paraíba, estava uma para ele próprio. Pelas descrições, seria no local onde posteriormente foi erguido o Colégio Nossa Senhora das Neves. Esse intento ele não levou a cabo.
Antes de morrer, Duarte da Silveira criou o Morgado do Salvador do Mundo, uma espécie de blindagem legalizada em cartório contra a alienação dos bens que conquistou em vida, ao qual se vinculavam os possíveis herdeiros.
(A imagem que ilustra o texto apresenta a capa do livro João Pessoa Personagens no Tempo, em foto esmaecida por cima da que registra o túmulo de Duarte da Silveira, na Igreja da Misericórdia).