Sérgio Botelho* – Na inauguração do Palácio dos Despachos, nesta segunda-feira, 19, estiveram em destaque as praças Pedro Américo e Aristides Lobo. Ambas, com uma história comum. O prédio fica exatamente entre as duas.
Antes, o espaço todo se chamava Campo do Conselheiro Diogo, a homenagear um ilustre paraibano de Pilar, que viveu durante o período imperial e que foi um dos responsáveis pelo início da construção da Estrada de Ferro Conde d’Eu, tempos depois Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima. Atualmente, ele é reverenciado com o nome de uma importante rua que liga o Parque Solon de Lucena às Avenidas Pedro II e João Machado, no Centro da cidade.
A Praça Pedro Américo (que homenageia um paraibano considerado entre os mais célebres pintores do Brasil, aquele do mais famoso quadro da Independência do Brasil), que já serviu como uma espécie de rodoviária interestadual, abriga prédios famosos na cidade. São eles o próprio Palácio dos Despachos, o Paço Municipal (que no momento ostenta tapume indicando intervenção física), o Quartel da PM (o mais antigo) e o do Teatro Santa Roza (esses dois últimos pintados de novo).
A Praça Aristides Lobo, que celebra um destacado republicano e abolicionista mamanguapense, de reputação nacional, já serviu como espaço preferencial dos famosos lambe-lambes. Possui uma bela, mas malcuidada balaustrada, tendo como prédio de maior realce, além de também referenciar o novo Palácio dos Despachos, o Grupo Tomaz Mindello, o primeiro desse modelo educacional posto a funcionar na atual João Pessoa.
As duas praças, a bem da verdade, não gozam de boa reputação em meio à chamada sociedade pessoense. À medida que a cidade subiu, com maior ímpeto a partir das décadas de 1920-1930, a cidade baixa inteira, e as duas praças também, perderam prestígio. Diferentemente disso, assumiram vocação mais noturna e boêmia e menos previsível.
Quem sabe o Palácio dos Despachos com seu inevitável movimento de gabinete do governador e de diversas secretarias, e segurança redobrada, mude o panorama. Seria bom danado para o Centro Histórico de João Pessoa! *Sérgio Botelho é jornalista e escritor.