Sérgio Botelho* – Apesar dos pedidos de esclarecimento sobre os efetivos acontecimentos revolucionários de 1817, na Paraíba, não são muito abundantes os escritos históricos a respeito.
Mas eles existem, como por exemplo o do professor e historiador Josemir Camilo de Melo, transformado em livro, sob o título A Paraíba na Confederação do Equador, editado pelo Senado Federal, em 2025, quando dos 200 anos da Confederação do Equador, completados em 2024.
Tomando para si a tarefa de desfazer o forte enfoque pernambucano na compreensão do fato histórico (também da Confederação), o autor revela as singularidades da Revolução de 1817, na Paraíba, em um capítulo inteiro do livro.
Utiliza como base para suas pesquisas o indispensável Datas e Notas para a História da Paraíba, de Irineu Pinto, ao qual acrescentou dois documentos de época: a defesa do tenente-coronel republicano Estêvão Carneiro da Cunha e do comunicado que o coronel de Milícias realista Mathias da Gama Cabral expôs à Corte sobre os fatos daquele ano.
Os republicanos da Paraíba, em 1817, aboliram novos impostos sobre carne verde, lojas, taverna etc.; extinguiram bandeiras e insígnias reais; reduziram pela metade os direitos da Alfândega; declararam igualdade entre estrangeiros e nacionais; instituíram o tratamento ‘vós’.
Detalhe: o documento foi assinado em Pacatuba (Engenho) em 24 de março de 1817, grafado como o 1º da Independência. Oportunamente, a Vila Nova da Rainha e Pombal também aderiram ao movimento republicano na Paraíba, assim como indígenas da Baía da Traição.
Tem mais, muito mais, no livro do historiador Josemir Camilo de Melo, incluindo a reação dos líderes pernambucanos de 1817, que criticaram algumas das decisões tomadas pelos paraibanos, defendendo a necessidade de se entender que as leis que conviessem a Pernambuco deveriam convir também à Paraíba. Sempre assim.
O livro A Paraíba na Confederação do Equador, de Josemir Camilo de Melo, está à disposição na Internet, servindo tanto para o objetivo maior, o da Confederação, quanto sobre fatos paraibanos da Revolução de 1817.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
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