segunda-feira, 16 de março de 2026

Folia de Rua

6, fevereiro, 2026

Sérgio Botelho* – Começa hoje mais uma versão do Folia de Rua, em João Pessoa, e não dá para ficar imune. Com essa denominação, a história começou na década de 1990. Mas como pré-carnaval pessoense, temos que procurar a década anterior, a de 1980, onde vamos localizar a criação das Muriçocas de Miramar.

Semana passada, quando do lançamento do livro 40 Anos das Muriçocas do Miramar, do Mestre Fuba, havia uma exposição dos estandartes do bloco, que atrai milhares e milhares de foliões daqui e de alhures. O primeiro deles data de 1987. Mas a história começou um ano antes, num fim de festa de aniversário.

Na época, João Pessoa vivia uma espécie de limbo carnavalesco. Os carnavais de clube, que marcaram a folia da cidade até parte da década de 1970, não mais existiam, e os de rua estavam restritos aos desfiles dos blocos históricos. Ia chegando o Carnaval, e a juventude se mandava para Olinda, Recife e Salvador.

A partir da criação das Muriçocas, bloco que rapidamente galvanizou a vontade do pessoense de brincar na rua, sem cordões de isolamento, outros grupos carnavalescos foram surgindo, como o Cafuçu, as Virgens de Tambaú, o Anjo Azul, os Imprensados, os Portadores da Folia, o Confete e Serpentina, entre outros.

Hoje, a partir do início da noite, ganha as ruas a versão Folia de Rua 2026, com show no Parque Solon de Lucena, reunindo Daniela Mercury, Lucy Alves, Grupo de Cultura Popular e Orquestra Sanhauá. Enquanto isso, Ednamay Cirillo, à frente do Anjo Azul, no Beco Malagrida, apresenta Escurinho, Vó Mera e Suas Netinhas, orquestra, Mirandinha e Escola de Samba.

Ao mesmo tempo, o jornalista Walter Santos, à frente do Confete e Serpentina, anuncia, para a Casa da Pólvora, Jarbas Mariz, Orquestra, Mirandinha e Escola de Samba.
O que começou como brincadeira virou costume. E costume vira memória.

*Sérgio Botelho é jornalista e escritor