Sérgio Botelho – A criação da cidade de Campina Grande, conforme comentamos no texto de ontem, tem uma marca pessoal definida na pessoa de Teodósio de Oliveira Ledo, membro de uma família de grande destaque na conquista dos sertões paraibanos.
Mas Teodósio e sua família não estiveram sozinhos na empreitada de colonização do interior do estado, que mantém vínculo histórico com o interior nordestino e teve início pouco depois da expulsão dos holandeses da região, em 1654. Até então, predominava na área litorânea a economia da cana-de-açúcar, já em crise no mercado mundial.
Foi então que os propósitos colonizadores da Coroa portuguesa se voltaram para os sertões nordestinos, onde viviam os indígenas qualificados pelos dominadores como bárbaros, o que justificava toda a guerra de extermínio que estava por se iniciar.
No interior do Nordeste existiam diversas tribos, identificadas como tapuias, em contraposição aos tupis (Potiguaras e Tabajaras) do Litoral. Eram, até então, os senhores das terras que deveriam ser conquistadas.
O projeto chegou a atrair o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho (que morreu no Piancó, na Paraíba, em 1705), conhecido também por sua participação na parte decisiva da guerra contra o Quilombo dos Palmares.
O que de forma concreta atraia a cobiça dos também chamados sertanistas era a distribuição, pela Coroa portuguesa, de sesmarias (terras) a interessados em estabelecer currais e fazendas, e, consequentemente, povoar a região.
Então, junto com tropas armadas, as boiadas avançaram pelos rios, vales, caatingas e campos dos sertões. O que para os colonizadores era “ocupação” e “povoamento”, para os povos indígenas era invasão de território, captura de pessoas e imposição de aldeamentos.
A Guerra dos Bárbaros, naturalmente, findou na dizimação dos povos tapuias nordestinos e, como queriam os colonizadores, em expansão territorial do domínio português, na região, para além das terras litorâneas do início da colonização local.
*Sérgio Botelho é jornalista, escritor e memorialista.
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