Sérgio Botelho –* As igrejas coloniais existentes em João Pessoa, a maioria iniciada ainda no século XVI, mas concluída apenas no século XVIII (à exceção da Igreja da Misericórdia, a mais antiga da cidade, pronta já no início do Século XVII), estão entre as mais importantes do barroco nacional.
A demora das construções se deveu principalmente ao domínio holandês sobre o Nordeste, incluindo a Paraíba, na primeira metade do século XVII. Cristãos, mas não católicos, os batavos requalificaram as igrejas. Quando deixaram a capitania, a economia local enfrentou uma seríssima crise, inviabilizando essas obras.
A mais exuberante, nesse sentido, é a Igreja de Santo Antônio, no conjunto franciscano, que deixou Mário de Andrade encantado na década de 1920. A do conjunto beneditino, na General Osório, e as do conjunto carmelita, na Praça Dom Adauto, não ficam muito atrás nessa classificação.
O conjunto que se vê na foto é o dos Carmelitas, onde se destacam a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a de Santa Teresa d’Ávila e a Casa de Oração, que também possui capela. A Casa de Oração serviu, durante décadas, às obras sociais do Padre José Coutinho.
A Igreja de Santa Teresa d’Ávila e a Casa de Oração estão aos cuidados da Ordem Terceira do Carmo. Essas ordens, em geral, são formadas por leigos que seguem a espiritualidade católica sem viver em convento ou mosteiro, e que têm enorme importância na história da Igreja.
Como memória afetiva, recordo, dos tempos de criança e de adolescente, das filas formadas, de um lado e de outro da Visconde de Pelotas, pelas terceiras e terceiros carmelitas durante as procissões. Entre eles, uma tia, irmã de minha mãe, com seu hábito marrom.
A Igreja do Carmo possui uma bela azulejaria que conta a história da devoção a Nossa Senhora do Carmo, funcionando como catequese visual que reafirma a origem da Ordem no Monte Carmelo e traduz, em arte barroca, a identidade religiosa e cultural carmelita.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor https://paraondeir.blog/carmelitas-em-joao-pessoa/