No texto desta segunda-feira, 4, mencionei uma edição do jornal A União, de 17 de agosto de 1940, que divulgava comícios realizados pelo então interventor da Paraíba, Rui Carneiro, recém-empossado, em bairros da capital paraibana.
Entre esses bairros, um dos citados pela matéria era a Povoação Índio Piragibe, detalhando que “na avenida da Redenção, o chefe do Governo foi alvo de outras homenagens falando vários oradores…”. Antes, segundo a nota, ele havia estado na Central Elétrica S.C., um equipamento posteriormente desativado.
Voltando um pouco no tempo, em 16 de março de 1939, a Diretoria Geral de Saúde Pública anunciava multa contra a firma Dolabela Portella (cimento), situada, no dizer da matéria, à “Ilha Índio Piragibe”, e, entre parêntesis, “antiga Ilha do Bispo”. Confirmando o que dizia A União de 1939, o mesmo jornal se referia ao logradouro, em 1910, como Ilha do Bispo. Em 1967, A União ora nomeava o local como Ilha do Bispo ora Povoação Índio Piragibe.
Sobre Piragibe, a gente sabe bem a origem da homenagem, uma vez que, no Século XVI, ali mantinha aldeia a tribo dos Tabajaras, da qual era o cacique. Mais do que isso, foi ele quem terminou consumando a derrota dos Potiguares, com sua adesão aos portugueses, possibilitando a fundação da Paraíba, em 5 de agosto de 1585. Em troca, a elite paraibana resolveu, dali por diante, buscar formas de celebrar Piragibe e os Tabajaras (embora, ao longo do tempo, tenha tomado as terras da tribo no Litoral Sul). Mas, e o bispo? Algumas teses falam na Igreja Católica, enquanto instituição, como proprietária do local, a influenciar o nome. Outros, explicitamente no arcebispo da Paraíba Dom Moisés Coelho, entre 1935 e 1959, mas que viveu na cidade, na largada do Século XX, e que não era exatamente um pobretão, como tendo sido dono do pedaço.
Seja lá como for, “aquela é a ilha do bispo”, terminou vencendo. *Sérgio Botelho é jornalista e escritor. https://paraondeir.blog/ilha-do-bispo/
(Na foto, ao fundo, a Ilha do Bispo, a partir da balaustrada das Trincheiras)