Sérgio Botelho* – Quando o Jardim Botânico do Rio de Janeiro foi criado, em 1808, por Dom João VI, o paraibano Manoel de Arruda Câmara (nascido no ano de 1752, em Pombal), como ficou mais conhecido, estava em plena atividade intelectual e científica.
Em 1810, ano de seu falecimento (sem sequer completar 60 anos), Câmara produziu a obra Discurso sobre a utilidade da instituição de jardins nas principais províncias do Brasil, onde apoiava “transplantações” de vegetais.
Ele citava o café, a cana e o tabaco. E ainda animais como carneiros, gado e cavalos para auxiliar o país a gerar riquezas. Para viabilizar a proposta, advogava a “instituição de hortos ou jardins em algumas províncias do Brasil”.
Ainda na capital da Colônia, Arruda Câmara foi um dos fundadores da Sociedade Literária do Rio de Janeiro, onde era produzido conhecimento científico e cultural, com inspiração iluminista.
Não é de se admirar que o paraibano tenha o seu nome homenageado em uma Aleia, palavra do francês allée, que designa uma das alamedas locais.
Porém, a homenagem maior que lhe foi prestada continua sendo em João Pessoa, onde o seu nome está associado ao Jardim Zoobotânico, também conhecido como Bica, um dos mais populares e afetivos recantos, entre todos os que existem na capital paraibana.
O parque recebeu seu nome em 24 de dezembro de 1922. Ele fica no bairro do Róger e reúne, ao mesmo tempo, área de lazer, reserva ambiental, jardim zoobotânico e lugar de memória afetiva da cidade.
Em Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Campina Grande e Natal há nomes de logradouros que homenageiam Arruda Câmara. A Assembleia Legislativa da Paraíba mantém o Diploma de Honra ao Mérito Arruda Câmara em Pesquisas Científicas. Em Pombal, terra natal do cientista, ele dá nome a uma Escola Pública.
Manoel de Arruda Câmara é nome que dignifica muito a Paraíba.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
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