Oficialmente, a Rua Irineu Pinto começa na Avenida General Osório e termina na Rua Maciel Pinheiro. Mas na verdade faz parte de uma via urbana maior, que tem início na Praça João Pessoa, na parte alta da cidade, o que inclui um trecho inicial que homenageia o padre jesuíta Gabriel Malagrida. Finaliza seu trajeto na Rua Francisco Londres, através da rua Cruz Cordeiro, já no Varadouro. Tudo isso no Centro Histórico da cidade.
Mas não fica só nisso as homenagens a Irineu Ferreira Pinto, na Paraíba. Seu nome é celebrado em duas bibliotecas no estado, sendo uma em Santa Rita e outra no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), instituição que também lhe preserva a memória a cada concessão da Medalha Irineu Pinto a pessoas de relevo no mundo cultural do estado. Irineu Pinto foi um dos fundadores do IHGP, em 1905, tendo ocupado, no órgão, as funções de secretário e de bibliotecário. Enfim, nomeia uma escola pública municipal em Bayeux, onde viveu a infância.
Tido como uma das obras seminais da historiografia paraibana, o livro Datas e Notas para a História da Paraíba, de sua autoria, é considerado como de “consulta obrigatória”, quando se trata de compreender a história do nosso estado. Ele também integra o rol dos patronos da Academia Paraibana de Letras, criada em 1941, décadas após sua morte.
Para quem não pôde concluir o curso superior, que até chegou a cursar, na Faculdade de Direito do Recife, e ter vivido pouco (1881-1918), Irineu Pinto alcançou uma notoriedade apenas possível em virtude da paixão e da capacidade com que se dedicou à pesquisa histórica e à Paraíba.
Para não falar apenas de flores, a edição de 28 de março de 1920, do jornal A União, ao transcrever a Ordem do Dia da Assembleia Legislativa da Paraíba, listou, entre os itens em pauta, o projeto nº 10, ainda de 1918, que concedia pensão aos filhos de Irineu. A burocracia de sempre. *Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
(A imagem mostra a capa do livro Datas e Notas para a História da Paraíba, de Irineu Pinto, pela Editora Universitária)