Sérgio Botelho* – Já comentei várias vezes o crime praticado contra o nosso patrimônio histórico quando da derrubada de quatro igrejas do Século XVIII, na cidade: a Igreja da Conceição, na Praça João Pessoa, a Igreja das Mercês, também no limiar da mesma praça, a Igreja do Rosário, no atual Ponto de Cem Reis, e a Igreja Mãe dos Homens, em Tambiá. Todas reconstruídas em outros locais, até próximos, mas sem o mesmo peso histórico e arquitetônico. Na década de 1970, tombou o velho prédio de A União, na Praça João Pessoa, para dar lugar ao atual prédio da Assembleia Legislativa.
Esse furor contra o patrimônio histórico da cidade voltou-se um tempo para a Casa da Pólvora, segundo é possível ler na edição de O Norte, de 20 de agosto de 1953. Quem me enviou o recorte, nesta quarta-feira, 19, foi o jornalista, escritor e historiador José Nunes, velho amigo do batente. “Querem demolir a Casa da Pólvora”, era o título da matéria.
Segundo o texto, a notícia chegou a uma sessão da Assembleia Legislativa como uma bomba, merecendo o repúdio imediato de parlamentares, a exemplo de Tertuliano de Brito, de São João do Cariri. Lógico que a intenção dos proprietários do terreno não prosperou.
Contudo, ganhou repercussão em A União, na imprensa pernambucana e até em jornais cariocas. Afinal de contas, apesar de em ruínas, a Casa da Pólvora já estava tombada pelo então SPHAN (hoje IPHAN) desde 1938, com registro em livros de tombo, como exemplo de arquitetura militar colonial portuguesa, de caráter funcional e defensivo.
Reinaugurada em 2014 como Centro Cultural e Parque Casa da Pólvora, o que lhe garante ainda mais atenção, é uma edificação urbana que conecta passado e presente, funcionando não apenas como cenário de memória, mas também de espaço privilegiado de arte e cultura no Centro Histórico de João Pessoa. *Sérgio Botelho é jornalista e escritor