Não apenas de memória material vive o patrimônio histórico de João Pessoa. Há também a imaterial. Nesse caso, considero, se inscreve a composição Meu Sublime Torrão”, de 1937. A música, do compositor pessoense Genival Macedo (1921-2008), homenageia a cidade, celebrando o amor pela terra natal, com uma melodia tocante e uma letra carregada de emocionante apego à Paraíba e sua capital.
A canção se tornou um hino sentimental pessoense, sendo, já perto dos 90 anos, frequentemente tocada em eventos e celebrações locais, coroando a identidade popular. Ela reflete a beleza natural e o valor histórico da cidade, reforçando seu papel como um símbolo cultural próprio. O título da canção já sugere uma forte conexão emocional do compositor com sua terra, o “sublime torrão”, expressão que evoca a ideia de lugar querido e valioso.
Mas é importante saber que Genival Macedo, falecido em Recife, onde é muito considerado, tem, ao longo do tempo, muitas outras composições gravadas por feras da Música Popular Brasileira, a exemplo de Jackson do Pandeiro, Quatro Ases e um Coringa, Elba Ramalho, Expedito Baracho, Carioca e sua Orquestra, Carmélia Alves, Claudionor Germano, Os Cancioneiros e Gilberto Gil. Versátil, Genival Macedo foi ainda profissional de rádio e de jornal. É importante que seja festejado.
Letra de Meu Sublime Torrão, de Genival Macedo:
Num recanto bonito do Brasil Sorri a minha terra amada Onde o azul do céu é mais cor de anil Onde o sol tão quente parece mais sutil
Lá, eu nasci e me criei Fiz canções e amei, sempre tive inspiração Lá no nordeste imenso Tem um fulgor intenso meu sublime torrão
A minha terra que só encerra belezas mil Pode ser chamada a namorada do meu Brasil
Minha terra tem o cantar dos passarinhos Na lagoa os gansinhos com seu nado devagar As morenas tão gentis ostentando seus perfis Numa noite de luar
Não tem a fama da baiana Mas a paraibana sabe amar, tem sedução Paraíba hospitaleira Morena brasileira do meu coração