Sérgio Botelho* – O dia 30 de janeiro guarda um acontecimento marcante para a história da política paraibana do início do Século XX. Foi quando, no ano de 1912, faleceu o ex-governador do estado, o areense Álvaro Lopes Machado, em pleno exercício do mandato de Senador da República, com apenas 52 anos.
Naquele preciso instante, a Paraíba era governada por João Lopes Machado, irmão do falecido, também nascido em Areia, ambos, junto com o conterrâneo e tio Monsenhor Walfredo Leal, que também chegou a governar a Paraíba, filiados à corrente política oligárquica conhecida como alvarismo. Álvaro Machado, major do Exército, ascendeu à condição de governador paraibano em 1892, sem muita sabedoria na lide política. No entanto, comandou o poder no estado por 20 anos. O salto ocorreu na esteira das mudanças nacionais provocadas pela ascensão do alagoano Marechal Floriano Peixoto à Presidência da República, em novembro de 1891.
Outra particularidade a ser ressaltada com relação ao quadro político que vigorava quando da morte de Álvaro Machado é que o evento aconteceu em meio à ascensão política nacional do umbuzeirense Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa, que viria a governar o Brasil ainda naquela década.
Epitácio já disputava, há algum tempo, a liderança política paraibana com Machado. E até já fazia parte do mesmo partido, o Partido Republicano da Paraíba, dividindo a liderança com Álvaro, sem que a repartição do poder partidário tenha garantido a paz entre as duas correntes. Muito pelo contrário.
Álvaro Machado nomeia uma histórica praça no Varadouro, que já teve grande importância urbana na capital. Hoje é ocupada por um posto de gasolina e por um marco da cidade, que é a Estação Elevatória de Esgotos do Varadouro. A estátua de Álvaro Machado está fincada não na praça que leva o seu nome, mas na Praça Dom Adauto. *Sérgio Botelho é jornalista e escritor