quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Nos tempos do boom algodoeiro

26, fevereiro, 2026

Sérgio Botelho – A foto que ilustra o texto de hoje mostra, ao fundo e à direita, as ruínas do antigo prédio que serviu de endereço à Prensa Abílio Dantas, no início da Rua da República, já bem perto da velha Ponte do Baralho.

É preciso dizer, também, que na mesma região, vizinho e em frente ao prédio da Prensa, havia a fábrica de Guaraná Sanhauá e as Indústrias Matarazzo, compondo um conjunto industrial na João Pessoa da primeira metade do Século XX.

A Prensa Abílio Dantas estava ligada diretamente à cultura algodoeira, que, nas primeiras décadas do século passado, sustentava boa parte da economia paraibana.
Abílio Dantas & Cia chegou a ter atuação significativa para além das divisas paraibanas, com filiais no Rio de Janeiro e Natal. No próprio estado, atuava em Campina Grande e Itabaiana.

O algodão vinha do interior em fardos, sendo a prensagem uma etapa decisiva, pois garantia acondicionamento adequado para transporte por trem ou por via marítima.
No plano tecnológico, a casa se associava à modernização do beneficiamento, com uso de equipamentos como a prensa hidráulica, justamente o tipo de maquinário que permitia compactar a pluma em fardos mais densos.

A presença das Indústrias Matarazzo reforçava esse ambiente do beneficiamento do algodão em larga escala. Já o Guaraná Sanhauá acrescentava ao cenário industrial um aspecto urbano e popular, com distribuição local e consumo crescente.

Naquela parte da Rua da República, o entorno virou polo dinâmico, com grande fluxo de trabalhadores, que moravam nos arredores. Dessa forma, produzindo intensa vida cultural e social, com clubes e celebrações memoráveis.

Não por acaso, na década de 1930, foi inaugurada, nas imediações daquele pioneiro distrito industrial pessoense, a Praça do Trabalho (ou da Pedra), com grande participação de operários em sua construção.

Um pouco distante dali, Abílio Dantas construiu e morou na casa que hoje serve de sede à Superintendência de Administração do Meio Ambiente-Sudema, na Avenida Monsenhor Walfredo, em Tambiá.


*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
https://paraondeir.blog/boom-algodoeiro/