Sérgio Botelho* – Metido em pesquisas de hemerotecas, fiquei curioso com uma nota no jornal O Imparcial, editado no Rio de Janeiro, edição do dia 5 de fevereiro de 1918, notícia de tipo provincianamente rotineira, envolvendo a Paraíba.
Na coluna Várias Notícias do Interior, grafada em letras maiúsculas, logo abaixo de outra intitulada Várias Notícias do Estrangeiro, havia a informação de que o Asilo de Mendicidade da cidade da Parahyba (atual João Pessoa) recebera a denominação complementar de Carneiro da Cunha.
Se o jornal tinha interesse naquele tipo de notícia, aparentemente sem importância para uma capital federal, é porque certamente tinha leitor interessado, pois a coluna ocupava espaço na segunda página do jornal. Certamente, paraibanos deputados federais, assessores e estudantes, afora gente de cultura e de negócios, en passant.
Mais importante, porém, é compreender o que foi e o que se tornou o Asilo de Mendicidade da capital paraibana, instituição criada pelo coronel Joaquim Carneiro da Cunha. À época da mudança de nome, pouco tempo havia decorrido desde o seu falecimento, ocorrido na cidade de Fortaleza.
Além do sobrenome célebre entre as elites pernambucana e paraibana, não consegui localizar maiores detalhes sobre a vida do homenageado. Nas pesquisas, contudo, surgiu outro personagem ligado à história: o Coronel Antônio de Brito Lyra, em cujas terras, situada nos arredores da capital, na propriedade denominada Chácara Linda Flor, foi inicialmente instalado o Asilo.
O objetivo original da instituição era o de abrigar necessitados de toda ordem, basicamente os entregues à mendicância, existentes em grade número, na época, em virtude das migrações provocadas pelas secas, no interior.
Uma grande virada aconteceu em 1963, quando a instituição passou à supervisão das Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Sena. Hoje, sob a denominação de Lar da Providência Carneiro da Cunha, na Avenida Santa Catarina, atende idosos em situação de vulnerabilidade social e familiar. Como se vê, guardando uma história secular.