terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O barqueiro que deu nome à sua terra

29, janeiro, 2026

Sérgio Botelho* – A chegada do homem branco às terras do atual município de Lucena remonta a meados do Século XVI. Os franceses foram os primeiros, focados na extração do pau-brasil. Após 5 de agosto de 1585, vieram portugueses e os já nascidos na Colônia.

Ali, defronte para o Cabedelo, no remanso do grande estuário do Rio Paraíba, muita gente foi encontrando o que fazer, o que passou a exigir travessias constantes. Foi quando entrou em cena um intrépido barqueiro.
As informações que chegaram até nós não dizem tudo, mas dizem o essencial. Lucena era o nome pelo qual ficou conhecido esse barqueiro, disposto a um ofício simples, mas constante e essencial.
Fontes institucionais do próprio município e roteiros históricos do Litoral Norte da Paraíba repetem a história. O nome não veio de famílias donas de engenho, nem de título nobre, nem de patente militar.

O barqueiro Lucena fazia parte da lida diária daquela gente que foi se fixando na região. Então, pelo prestígio popular conquistado, virou topônimo do lugar em que era tão indispensável.
Quando o povoado cresceu, quando a vila se formou e quando, já no século XX, Lucena se tornou município, o nome já estava fixado. O barqueiro não virou estátua, mas permaneceu no mapa.

Hoje, Lucena é um município em expansão. Cresce em moradores, construções, turismo e significado econômico. Recebe turistas, atrai investimentos e projeta o futuro.
Ainda assim, carrega no nome a lembrança de um tempo em que a sobrevivência dependia do remo, da oferta daquele corajoso e estafante trabalho, da maré e do conhecimento do rio pelo operoso cidadão.

Lucena, nesse sentido, é um nome que não celebra poder. Celebra utilidade. Celebra serviço. Celebra um homem comum que, sem se dar conta, batizou um lugar inteiro.
É uma história fantástica. Contudo, não é exceção na memória paraibana. Há outras parecidas, que vou contar.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.