Sérgio Botelho – Entre 1635 e 1653 a Paraíba foi governada por holandeses, chamados diretores. Dois deles estão classificados como os piores do referido período de dominação. O primeiro atendia pelo nome de Ypo Eysens.
Tomo como fonte o livro de Guilherme Gomes da Silveira d’Ávila Lins. A obra tem o título de “Governantes da Paraíba no Brasil Colonial (1585-1808)”, com o subtítulo “Uma revisão crítica da relação nominal e cronológica”.
Segundo d’Ávila Lins, Ypo assumiu o governo paraibano logo no início de 1636. Mas não durou muito no comando da Paraíba. Em 14 de outubro daquele mesmo ano de 1636 ele foi morto numa emboscada.
Sua morte aconteceu no Engenho Espírito Santo, ainda segundo d’Ávila Lins. O responsável pela proeza foi o Capitão Rabelinho, famoso guerrilheiro contra a dominação holandesa. Por confisco, o Engenho Espírito Santo estava sendo gerido pelo próprio governador batavo.
José Américo de Almeida, no livro A Paraíba e Seus Problemas, havia descrito a má fama de Ypo Eysens. Conforme o autor, o holandês perseguiu duramente os próprios colonos que se haviam subordinado ao domínio batavo.
Entre os perseguidos, segundo José Américo, figurava o pioneiro dono de engenho Duarte Gomes da Silveira. A hostilidade surgiu da negativa, da parte de Silveira, em conceder a mão de uma sobrinha a Ypo Eysens.
O outro governador holandês sombrio foi um dos últimos, de nome Paulo de Linge, responsável por atos de violência indizíveis. Como, por exemplo, invadir o Engenho São Tiago Maior, de André Dias Fernandes, e trucidar todas as pessoas presentes.
Linge governou a Paraíba em duas oportunidades. A primeira, entre 1640 e 1642, e a segunda, entre de junho ao final de 1646. Nessa última passagem, os holandeses já estavam confinados na Fortaleza de Santa Catarina, chamada por eles de Margarida. A cruzada brasílica avançava.
Imagem: Mapa das fortificações da Paraíba, Nicolaes Visscher, 1635
*Sérgio Botelho é jornalista, escritor, memorialista e membro do IHGP.
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