Sérgio Botelho – Já anunciado pelo governo estadual, um novo museu será criado em João Pessoa. O espaço será dedicado à Diáspora Negra, aos Povos Originários e às Comunidades Tradicionais da Paraíba.
Também chamado de Museu das Etnias, ele vai funcionar na esquina da Rua Braz Florentino com a Duque de Caxias. O histórico prédio fica de frente para a Praça Rio Branco.
A escolha ocorreu porque naquela praça foi instalado o Pelourinho, marco de jurisdição e autoridade real. O monumento de pedra servia para proclamar editos e ordens régias em nome da lei vigente na época.
O Pelourinho também era utilizado para expor e punir pessoas diante da comunidade local. As vítimas eram, normalmente, pessoas escravizadas. Açoites e humilhações públicas de pretos fazem parte dessa memória histórica da cidade.
Movimentos de resistência étnica defendem até a mudança do nome da praça. Hoje, o espaço celebra o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira e personalidade ilustre do período imperial.
A proposta é que a praça se chame Gertrudes Maria. Ela foi uma mulher negra que viveu na Cidade da Parahyba no século XIX. Gertrudes enfrentou a escravidão nos tribunais, conforme pesquisa da historiadora Solange Pereira da Rocha.
A praça possui gênese urbana totalmente cívica, diferente das que se originaram em largos de igrejas. O local abrigou a Casa da Câmara, colegiado que exercia o comando administrativo da capital paraibana.
Isso ocorreu antes da existência de intendentes e prefeitos. Esses gestores ficaram responsáveis pelo comando dos municípios nas décadas que se sucederam à implantação da República.
Mas isso é outra história. Melhor dizendo, outras histórias.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
(A foto é da praça Rio Branco)
https://paraondeir.blog/pelourinho-a-praca-e-o-museu/