Sérgio Botelho – Atualmente, entre os principais destaques turísticos de João Pessoa está o Hotel Globo, no Largo de São Frei Pedro Gonçalves. Tanto assim que fez parte das minhas primeiras crônicas memoriais. Foi, portanto, incluída no livro Memórias da Cidade de João Pessoa (o da foto), publicado em janeiro de 2024, o primeiro de três que já escrevi sobre histórias pessoenses.
O brilho do Globo, há muito tempo não mais um hotel, tem tudo a ver com sua beleza, localização e história. Trata-se de uma construção de estilo eclético, com influências do neoclássico, do art nouveau e do art déco, características comuns a muitas edificações da época em João Pessoa.
Está localizado em uma parte elevada junto à margem direita do Sanhauá, muito provavelmente no espaço onde se ergueu a primeira edificação de maior relevância da Cidade Real de Nossa Senhora das Neves: um fortim que serviu de residência aos primeiros capitães-mores da nova capitania. Das balaustradas do Hotel Globo descortina-se um pôr do sol espetacular.
Quanto à sua história, está entre os primeiros hotéis de maior porte da cidade, fruto da iniciativa de Henrique Siqueira, conhecido como Marinheiro, um investidor (ou, como se dizia então, um capitalista). Há registros de sua existência já na década de 1910, funcionando na atual Praça XV de Novembro. Em 1929, a nova sede do Hotel Globo foi construída no local onde o prédio ainda hoje se destaca.
Em ambas as versões, na praça e no largo, o estabelecimento ficava bem próximo ao Porto do Capim, porta de entrada e saída da cidade para quem vinha ou seguia até outros países. Com as mudanças no circuito econômico e urbano de João Pessoa, e com a perda de protagonismo da área portuária do Varadouro, o hotel entrou em decadência, transformando-se na beleza memorial que hoje o reveste.
Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
https://paraondeir.blog/o-prestigiado-hotel-globo/