quarta-feira, 18 de março de 2026

O suicídio de Apolônio Sales de Miranda

18, março, 2026

Sérgio Botelho – O dia 18 de março de 1963 foi particularmfente triste na cidade de João Pessoa. Notícias vindas do Rio de Janeiro davam conta de que o ex-prefeito Apolônio Sales de Miranda havia se suicidado.

O ato fora consumado no edifício do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado, o IPASE, órgão criado pelo então presidente Getúlio Vargas durante o Estado Novo. Ele havia pulado do 13º andar.

Na política, Apolônio chegou à Prefeitura de João Pessoa e exerceu o cargo de 30 de novembro de 1955 a 30 de novembro de 1959. Em seguida, elegeu-se deputado federal pelo PSD, integrando a legislatura de 1959 a 1963.

Nascido em Alagoa Grande, em 14 de julho de 1916, filho de João de Miranda Henriques e Natércia Sales de Miranda, transferiu-se depois para o Rio de Janeiro, onde se tornou alto funcionário do IPASE.

A vitória de Apolônio para a Prefeitura de João Pessoa marcou a ascensão de um nome de forte apelo popular que já circulava na política e na burocracia pública, tendo como exemplo maior justamente o Ipase.

Seu governo ficou na memória da cidade menos por um grande feito isolado e mais por um tipo de administração voltada para a expansão urbana e para demandas populares de bairros em crescimento.

Essa ligação popular mais estreita produziu atrito com as elites da cidade, resultando em sua prisão, em pleno exercício do mandato, em 1958, o que gerou muita tensão.

No detalhe, entrou preso no quartel “nos braços do povo” e, ao ser libertado, também foi carregado pela população do Quartel da PM, no Varadouro, até a sede da Prefeitura, na Praça Rio Branco.

Hoje, seu nome permanece vivo na cidade: batiza uma praça no bairro de Tambiá, uma rua na Ilha do Bispo e uma Escola Municipal de Ensino Fundamental em Cruz das Armas.

*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.

(Foto de Apolônio, dos arquivos da Câmara dos Deputados)
https://www.instagram.com/p/DWBW7BDjoBA/?igsh=MXdjc3k0ZjR0cTFiNw==