Sérgio Botelho* – Ao longo da nossa história, destacadamente após a implantação da República, com suas por vezes ações equivocadas de progresso, a capital paraibana se utilizou abusivamente da prática de arruinar sua arquitetura histórica.
As derrubadas ocorreram de forma mais significativa na primeira metade do Século XX, quando foram destruídas igrejas dos anos 1700, na cidade. Portanto, todas já com histórias mais que seculares. Foram ao chão, sem piedade, as igrejas do Rosário dos Pretos, Mãe dos Homens, da Conceição dos Militares e das Mercês.
A da Conceição dos Militares, particularmente, havia sido palco de Missa do Galo assistida por Dom Pedro II, em 1859, um valor memorial de forte simbolismo para a história paraibana. Outro prédio histórico derrubado foi o Palacete do Barão do Abiahy, primeira residência episcopal da Paraíba.
O prédio (na foto, melhorada por IA) ficava na esquina das atuais Rua das Trincheiras com a Praça Venâncio Neiva (a do Pavilhão do Chá) onde o primeiro bispo paraibano, Dom Adauto, se abrigou oficialmente após sua chegada na Paraíba, transformada em procissão. Foi também onde ele criou o Seminário e o Colégio Diocesano. Tudo isso em 4 de março de 1894.
Vale até um pouco de história. Segundo fontes da Cúria, a Diocese da Paraíba foi criada no dia 27 de abril de 1892 pela Bula “Ad Universas Orbis Ecclesias”, do Papa Leão XIII. Contudo, somente foi instalada, com as pompas e as circunstâncias obrigatórias, dois anos depois, com a chegada do bispo.
Mais do que residência inaugural de Dom Adauto, foi também sede do primeiro seminário paraibano e do primeiro colégio diocesano, depois Pio X (transformado em Marista, com o tempo) e Pio XII (não mais existente). Hoje, o terreno onde o Palacete existia abriga a Delegacia Regional do Trabalho.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor https://paraondeir.blog/palacete-do-barao-do-abiahy/