quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O velho prédio do Colégio das Neves

18, dezembro, 2025

Retomar a história do Colégio Nossa Senhora das Neves, nesta série de crônicas memoriais que escrevo, é sempre um prazer, porque carregado de ancestralidade. Não apenas pelo fato de ali terem estudado minha mãe, minhas tias, primas e irmã, mas porque faz parte da própria história de João Pessoa, desde os seus primórdios.

Com efeito, toda aquela área, nas proximidades do templo dedicado à padroeira Nossa Senhora das Neves e ao conjunto beneditino, formou-se como pioneiro largo por onde crescia e transitava a cidade, servindo também de pátio de obras.

Não havia apenas prédios religiosos em construção por ali. A rua Nova, atual General Osório, uma das primeiras abertas na cidade, tornava-se pouco a pouco endereço de novos moradores, atraídos pela Filipéia em expansão.

Tamanha era a importância do local que Duarte da Silveira, dono de engenho e um dos mais lembrados fundadores da Paraíba, incentivador financeiro de novas residências na cidade, tentou, no século XVI, erguer para si uma mansão, que chegou a avançar das fundações às paredes.

Dois séculos depois, em 1858, na intenção de ampliar o horizonte feminino para além do oratório, da sala de jantar e da cozinha, conforme costumava dizer, o governador Beaurepaire Rohan criou o Colégio Nossa Senhora das Neves para moças. A iniciativa, no entanto, não sobreviveu ao término de seu governo.

No final do século XIX, o propósito foi retomado pelo primeiro bispo da Paraíba, Dom Adauto, que fundou o colégio confessional dirigido por uma congregação de freiras. Essa versão do Colégio Nossa Senhora das Neves vingou durante quase todo o século XX em João Pessoa.

Volto ao assunto porque, nesta quinta-feira, 18, às 10 horas, o governador João Azevedo devolverá oficialmente vida ao prédio, agora renascido como Parque Tecnológico Horizontes da Inovação (PTHI). Além da nova missão, o ato representará um gesto de fortalecimento da preservação do nosso valioso Centro Histórico.
Bom danado!