terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O velho prédio do Colégio dos Jesuítas

16, janeiro, 2026

Sérgio Botelho* – As construções que ficam no lado Oeste da atual Praça João Pessoa têm origem na atuação da Companhia de Jesus na cidade, a partir do Século XVI, ao mesmo tempo em que outras ordens religiosas edificavam em locais diversos da atual João Pessoa.

Ao fim dos trabalhos, no Século XVIII, os Jesuítas haviam erguido, no local, três prédios marcantes para a história da cidade: o convento, a Igreja de São Gonçalo (depois, de Nossa Senhora da Conceição dois Militares, derrubada em 1929) e o Colégio.

Em 1759, no reinado de Dom José I, a Ordem dos Jesuítas foi expulsa do Brasil, por iniciativa do poderoso ministro português, o Marquês de Pombal. Confiscados, os bens dos religiosos passaram ao domínio da Coroa.

Ainda naquele século, o prédio onde funcionou o convento da Ordem foi transformado em Palácio do Governo, o que valeu até 2024. O do antigo colégio foi ocupado por repartições coloniais e até pela Assembleia Provincial.

Em 1837, criado um ano antes, o Lyceu Paraibano se transferiu para o local. 100 anos depois, o Lyceu ganhou prédio novo e próprio na recém-construída Avenida Getúlio Vargas, para onde se mudou.

Na década de 1950, valendo até 2018, o prédio passou a ser endereço da Faculdade de Direito, atravessando períodos de unidade autônoma, e, com o tempo, de parte da Universidade Federal da Paraíba.

Ano passado (2025), o ex-Palácio da Redenção foi revitalizado e requalificado, virando um providencial Museu de História da Paraíba. Assim, o prédio do antigo Colégio dos Jesuítas ficou muito exposto, clamando por intervenções físicas.

Ele ainda pertence à Universidade Federal da Paraíba, mas, nesses dias, um anúncio compartilhado entre a reitora Terezinha Domiciano e o governador João Azevedo garantiu sua revitalização e possível requalificação, pelo estado.

Com a proclamação, ganha força a possibilidade de um bom destino para o prédio, mantida, claro, sua arquitetura histórica, como é praxe nos procedimentos de intervenção em obras tombadas, como é o caso.

*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
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