Sérgio Botelho – Entre os vultos que permanecem na memória dos pessoenses destaca-se o Padre Zé. Sua figura marcou profundamente a vida da cidade, percorrendo ruas por esmolas para sustentar os pobres acolhidos pela instituição que dirigia, o Instituto Padre Zé.
Recordo bem do Padre Zé (na verdade, Monsenhor José da Silva Coutinho) já numa cadeira de rodas e uma bengala a tocar de alguma forma os transeuntes mais desatentos sobre a necessidade de lhe concederem alguma esmola.
As obrigações do Padre Zé Coutinho com a pobreza começaram na década de 1930, nas dependências da hoje Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, quando criou o Instituto para acolher pessoas pobres.
Do interior do estado chegavam normalmente a João Pessoa gente necessitada em busca de tratamento médico, trabalho e assistência. Mas também jovens estudantes sem condições de pagar moradias e que não haviam conseguido amparo na Casa do Estudante.
Depois do prédio da catedral, o Instituto Padre Zé funcionou por um bom tempo na Casa de Oração da Ordem Terceira do Carmo, no conjunto carmelita (o primeiro prédio à direita na foto que ilustra a matéria), onde fez história.
A instituição tanto cresceu em demanda que na década de 1960 foi criado o Hospital Padre Zé, com endereço oficial na avenida Desembargador Boto de Menezes, em Tambiá, nas proximidades do bairro Padre Zé.
Depois de enfrentar sérios percalços, em tempos recentes, o Hospital Padre Zé segue atendendo à população carente em suas necessidades de saúde. O instituto, além da assistência, mantém atividades voltadas para a formação profissional.
O monsenhor José da Silva Coutinho morreu em 5 de novembro de 1973, às vésperas de completar 76 anos. Seu túmulo, no Cemitério Senhor da Boa Sentença, em João Pessoa, é um dos mais visitados, especialmente no dia de Finados.
Foto publicada no artigo Padre Zé na Mídia Nacional, por Samuel Amaral, no Ambiente de Leitura Carlos Romero, melhorada por IA.
*Sérgio Botelho é jornalista, escritor, memorialista e membro do IHGP.