Sérgio Botelho* – Depois de curtir uma gripe pesada, nesses dias, retomo meus posts memoriais diários. Recomeço pelo domingo, 9 de março de 1975, que deveria ser um dia de festa em João Pessoa, mas que quase se transformou em tragédia. Nesse dia, foi inaugurado o Estádio Almeidão (José Américo de Almeida Filho).
Corria o governo Ernany Sátyro, em plena ditadura militar, e o dinheiro federal inicialmente só dava para um estádio. Mas a disputa política João Pessoa-Campina Grande, então muito forte, fez com que os recursos fossem divididos para dois. O resultado é que, até hoje, nenhum deles foi concluído.
As obras tiveram início em 1974 já com prazo para a entrega: 8 e 9 de março de 1975. Isso porque a data marcava o final do mandato de Sátyro e ele não pretendia que a inauguração ficasse na conta dos feitos do seu sucessor Ivan Bechara, já devidamente nomeado para sucedê-lo.
Os estádios se mostravam nitidamente em ritmo de construção, e a reduzida bancada do MDB, que fazia a chamada oposição consentida, não parava de alertar para o perigo que a inauguração do estádio representava para o público que se faria presente. A inauguração do Amigão não teve problema e até o clássico Botafogo X Campinense terminou 0 X 0. Tudo em paz. Na inauguração do Almeidão, em João Pessoa, com Botafogo do Rio 2 X 0 Botafogo da Paraíba, a confusão foi grande, resultando em muita gente ferida.
Aos 44 minutos do primeiro tempo, com o placar inclusive já definido, uma grande explosão acontece nas proximidades da Arquibancada Sol, onde havia inclusive muito mais gente. O clima que precedeu a inauguração, com os alertas oposicionistas, precipitou o corre-corre. Pessoas foram pisoteadas, outras se jogaram no fosso, resultando em cerca de 60 pessoas feridas.