Sérgio Botelho – No primeiro contato com a Paraíba, em 16 de maio de 1864, o engenheiro André Rebouças sequer desceu do vapor que o conduzia ao Maranhão. O navio que o transportava havia fundeado no Porto de Cabedelo. Mas não ficou nisso. Comentou, segundo ele, com paraibanos, a necessidade de construírem trapiches no local.
Mais tarde, quando da visita mais demorada à província, ele volta a falar dessa sua passagem, em seu diário. “… obtive a 16 de Maio as primeiras informações sobre o Cabedelo, que me fizeram ter a idéa de crear aí um porto de comercio”.
Na visão do engenheiro, tido como uma máquina de projetos, isso permitiria a Cabedelo se transformar num porto para navios de carga, estabelecendo negócios diretamente com a Europa, especialmente no transporte de algodão e açúcar.
Na época, o porto que servia ao transporte marítimo da Paraíba era o velho Porto do Varadouro, o popular Porto do Capim, à beira do Sanhauá, na parte baixa da cidade da Parahyba. Sujeito a assoreamento contínuo, representou séculos de atraso para a economia paraibana.
Para que a gente contemporânea tenha uma ideia, um prático de Cabedelo explicou a André Rebouças que os navios de comercio transatlânticos eram obrigados a subirem o rio Paraíba para receberem as mercadorias na cidade, conforme anotou o engenheiro em seu diário.
Ainda com a palavra o prático: “pela contingência dos ventos e marés, acontecia levarem os navios 10 a 12 dias para fazerem o curto trajeto de Cabedelo à cidade”. Essas primeiras informações consolidaram em Rebouças a ideia da construção do porto em Cabedelo.
Foi ao presidente do estado, Sinval Odorico de Moura, ao vice, Felizardo Toscano, até obteve aprovação da proposta, segundo o historiador Flávio Brito, na Assembleia Provincial. Mas, o projeto do Porto de Cabedelo só começaria a andar, para valer, após a República.