terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Revitalização no Centro Histórico

20, janeiro, 2026

Sérgio Botelho* – Nesta segunda-feira, 19, acompanhei a entrega do prédio localizado entre as praças Aristides Lobo e Pedro Américo. A obra na cidade baixa é relevante para a preservação histórica da capital paraibana. O imóvel agora revitalizado servirá como a nova sede do Palácio dos Despachos do Governo da Paraíba.

Ao longo do tempo, o prédio teve diversas funções, detalhadas convenientemente em painéis no hall de entrada (providência elementar quando se trata de local histórico, assim como o poder público municipal deveria fazer com relação a ruas, praças, prédios e monumentos do Centro Histórico) por orientação da Secretaria de Estado da Cultura, atendendo recomendação do próprio governador, segundo me informou o secretário Pedro Santos.

Antes de ser Comando da Polícia Militar, sua última serventia, o local abrigou a Assembleia Legislativa entre 1947 e 1973. Agora, o governador cumprirá expediente administrativo normal no edifício, que também receberá as secretarias estratégicas estaduais.

Mas o prédio tem muito mais história. Em termos de antiguidade, a construção só perde para o prédio defronte, do outro lado da Praça Pedro Américo, onde funciona o Primeiro Batalhão da PM (aliás, pintado de novo e funcionando). Enquanto o quartel remete ao Brasil Colônia, o prédio recém-inaugurado data do Brasil Império.

O projeto original de 1853 previa um teatro público, mas a ideia nunca saiu do papel. As obras foram retomadas em 1864 e concluídas apenas em 1868 para finalidades civis. O imóvel sediou o Tesouro Estadual, a Escola Normal, o Tribunal de Justiça e o Palácio das Secretarias. Durante o governo do presidente João Pessoa (1928-1930), a edificação passou por uma reforma significativa, quando ganhou mais dois andares.

Desta vez, após anos de uso militar, o espaço retoma sua vocação administrativa civil com a entrega realizada ontem. Ao se somar a outras revitalizações e requalificações de prédios no Centro Histórico de João Pessoa, o governo segue marcando em favor da memória pessoense.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.