sexta-feira, 3 de abril de 2026
Geral 3, abril, 2026

O destino dos Potiguaras após o 5 de agosto de 1585, na série João Pessoa e seus Fundamentos


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Sérgio Botelho – Feita a paz entre portugueses e Tabajaras, em 5 de agosto de 1585, os Potiguaras não baixaram as armas. Diferentemente disso, seguiram guerreando contra os colonizadores.
Não só os Potiguaras, mas também os franceses continuaram frequentando o Litoral Norte da Paraíba, insistindo na exploração do Pau Brasil. Assim, a parceria entre os dois lados, indígenas e europeus, teve sobrevida.

Contudo, no processo de construção da nova cidade e consolidação da Capitania Paraíba, os portugueses rapidamente foram aumentando suas providências de defesa, visando consolidar a conquista da Paraíba.
O próprio Martim Afonso de Souza se encarregou de comandar cargas contra os franceses entre 1585 e 1586, alcançando sucesso. Então, sem os Tabajaras e sem os franceses, veio a rendição dos Potiguaras. Mas isso somente aconteceu em 1599, cerca de 14 anos depois da conquista da Paraíba, abrindo caminho, inclusive, para a conquista do Rio Grande do Norte.

A partir daí, os Potiguaras, sob o comando de duas lideranças de maior referência na época, Zorobabé e Pau Seco, aos quais a história não faz muita referência, se estabeleceram na Serra da Copaoba e no Litoral Norte paraibano.

Em obediência às cláusulas da rendição potiguara, eles passaram a servir como tropas de combate em favor de eventuais necessidades portuguesas. Assim aconteceu na Conquista do Maranhão e na contenção dos Aimorés, na Bahia.

O que não evitou uma circunstancial colaboração de líderes Potiguaras com os holandeses, nos preâmbulos da dominação batava, com cruel punição empreendida pelos lusitanos, na forma de massacre em Baía da Traição.

Hoje, os Potiguaras vivem uma situação de continuidade territorial, com mais de 20.000 indígenas nos municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto, na Paraíba. Arranjo que tem sua origem nos fatos de 1585, os da fundação da atual João Pessoa, há mais de 400 anos.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.

(Foto atual de um grupo de Potiguaras, no site Trilha dos Potiguaras)
https://paraondeir.blog/potiguaras/