quarta-feira, 20 de maio de 2026
Futebol 20, maio, 2026

Botafogo tenta apagar incêndio, mas nota sobre Nenê expõe crise e contradições

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O Botafogo-PB publicou uma nota oficial tentando conter a repercussão negativa envolvendo o meia Nenê, mas acabou jogando ainda mais luz sobre um cenário de desorganização, permissividade e crise técnica dentro do clube. A nota confirma aquilo que já revoltava boa parte da torcida: o clube sabia de tudo. Sabia da viagem de Nenê para Paris, sabia da participação dele como comentarista da Copa do Mundo e, mesmo assim, liberou o principal jogador do elenco em meio ao pior momento do time na Série C.

Enquanto o Botafogo acumulava a quarta derrota consecutiva e afundava perigosamente na tabela, o camisa 10 aparecia na França participando de um evento festivo e batendo bola longe de João Pessoa. A cena caiu como provocação para uma torcida que iniciou o campeonato sonhando com acesso à Série B e agora começa a olhar para baixo, temendo até um risco de rebaixamento para a Série D.

Na nota, o clube afirma que Nenê não enfrentaria a Inter de Limeira por causa de um tratamento na panturrilha direita e que a viagem tinha alinhamento prévio com a diretoria. Ou seja: o Botafogo não apenas autorizou como também chancela oficialmente a ausência do jogador no momento mais delicado da equipe.

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O problema é que, no futebol, existe algo chamado simbologia. E ela pesa muito. Principalmente quando envolve o jogador mais caro do elenco. O salário de Nenê nunca foi oficialmente divulgado, mas circula há meses nos bastidores e na imprensa a informação de que ele recebe algo em torno de R$ 200 mil mensais — valor jamais confirmado ou desmentido pelo clube. O que ninguém discute é que se trata do principal investimento do elenco botafoguense.

E justamente esse jogador estava em Paris enquanto o time afundava em campo.

A situação fica ainda mais delicada quando a própria nota confirma outra informação que vinha causando desconforto: Nenê será comentarista da Casé TV durante a Copa do Mundo. Isso significa que, em pleno calendário do futebol brasileiro, ele terá compromissos profissionais fora do Botafogo, precisando se deslocar ao Rio de Janeiro durante partidas e atividades do clube.

Mais uma vez, a diretoria trata tudo com naturalidade.

Trechos da nota chegam a soar quase publicitários, afirmando que Nenê fortalece “a marca Botafogo-PB nacional e internacionalmente” e que a visibilidade conquistada pelo clube passa pela imagem do atleta. É um discurso institucional compreensível do ponto de vista de marketing, mas extremamente delicado quando o desempenho esportivo despenca rodada após rodada.

Porque no fim das contas, o torcedor quer visibilidade, claro. Mas quer principalmente vitória.

E hoje o Botafogo tem muito mais postagem explicando ausência de jogador do que futebol dentro de campo.

Fonte – O Norte Online