Sérgio Botelho* – No dia 1º de março de 1930, aconteceu o que seria a última eleição do período disposto historicamente como Primeira República, inaugurada efetivamente com a Constituição de 1891.No plano formal, estruturou-se um Estado Federativo, com autonomia para as diversas unidades, e eleição regular de presidentes. Criaram-se mecanismos administrativos mais modernos e ampliou-se a máquina pública. No plano real do poder, contudo, o sistema foi dominado por oligarquias estaduais. A chamada política dos governadores e os acordos entre elites regionais tinham como saldo a participação popular restrita.
Nesse quadro, o voto não era secreto, o que favorecia práticas de controle eleitoral conhecidas como coronelismo. As eleições existiam, mas a competição era prejudicada por fraudes, exclusões e pressões locais.
Foi no interior dessa conjuntura que aconteceu o pleito presidencial de 1930, com duas candidaturas: a do paulista Júlio Prestes, que tinha como vice o baiano Vital Soares, e a do gaúcho Getúlio Vargas, cujo vice era o paraibano João Pessoa.
Apoiado pelo presidente da República Washington Luiz, Júlio Prestes se saiu amplamente vitorioso, perdendo apenas nos estados do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e da Paraíba.
Essas haviam sido exatamente as unidades federativas que formaram a Aliança Liberal, expressa nas candidaturas Getúlio-Pessoa, contra o Partido Republicano Paulista, de Júlio-Vital. A princípio, apesar das reclamações procedentes de sempre, houve certa acomodação oposicionista com relação ao resultado. No entanto, em 26 de julho daquele ano, João Pessoa, que presidia a Paraíba, foi assassinado em Recife, assanhando as hostes oposicionistas.
O resultado disso é amplamente conhecido: antecipando-se à posse do vitorioso, marcada para 15 de novembro, em 24 de outubro militares depuseram Washington Luiz e em 4 de novembro deram posse a Getúlio, que governou o Brasil por 15 anos, parte deles (a partir de 1937) sob a ditadura do Estado Novo.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor https://paraondeir.blog/1-de-marco-de-1930/