Sérgio Botelho – A edição de 17 de junho de 1933, do jornal A União, veicula uma nota da The Great Western of Brazil Railway Company Limited, duplamente interessante. A Great Western foi uma companhia inglesa criada em Londres em 1872 para construir e explorar ferrovias no Brasil. Na Paraíba, construiu partes e explorou o sistema ferroviário por toda a primeira metade do Século XX.
Na nota, a empresa avisava que lotaria um trem de excursão para Campina Grande, com preços reduzidos, para as festas de São João na cidade. O trem sairia de Cabedelo, no dia 22 de junho, às 22h30, viajaria durante a noite e chegaria a Campina Grande às 5h20 do dia seguinte. A volta estava marcada para o dia 26, às 23h30, com chegada a Cabedelo às 6h01 do dia 27.
O anúncio nos faz entender que o São João de Campina Grande já exercia poder de atração antes de se transformar na marca turística grandiosa que conhecemos hoje. Havia gente disposta a atravessar a noite no trem para chegar à cidade em tempo de curtir a festa. Nós estamos falando de 1933, portanto, perto de 100 anos atrás. O trem partia de Cabedelo, passava por João Pessoa e seguia por várias estações do caminho. O anúncio informava que as passagens seriam emitidas não só para Campina Grande, mas também de e para estações como João Pessoa, Santa Rita, Engenho Central, Reis, Espírito Santo, Entroncamento, Coitezeiras, Pilar, Itabaiana, Lauro Müller, Mogeiro, Ingá e Álvaro Machado.
Nesse ponto, a outra informação interessante: o alcance da rede ferroviária entre João Pessoa e Campina, em ligação direta. Importa saber, contudo, que, na época, já era possível viajar de trem entre várias regiões do pais, por meio de conexões.
Entre as décadas de 1950 e 1960 o progresso ferroviário foi paralisado. (Foto: antiga Estação Ferroviária de Campina Grande)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba. https://paraondeir.blog/trem-campina/