quarta-feira, 3 de junho de 2026

A certidão de nascimento de Campina Grande

14, maio, 2026

Sérgio Botelho – A história da cidade de Campina Grande tem origem, oficialmente registrada, em dezembro de 1697, quando o sertanista Teodósio de Oliveira Ledo estabeleceu no local os indígenas Ariús, rendidos aos conquistadores.

À época, governava a Paraíba do Norte Manuel Soares de Albergaria (administrador da capitania entre setembro de 1697 e julho de 1700), que já em janeiro de 1698 enviou um frade franciscano para catequizar os indígenas.

O episódio acaba por demonstrar a estreita relação que os conquistadores dos sertões paraibanos, vindos dos sertões baianos, mantinham com o governo da capitania, a representação da Coroa portuguesa na colônia.

Foi Albergaria quem ofereceu apoio militar e logístico a Teodósio de Oliveira Ledo, nas entradas pelo interior da capitania, além de comunicar oficialmente ao rei sobre a presença dos Ariús aldeados.
Sabe-se que os sertões de Piranhas, Piancó, Cariris e Borborema estavam no centro das preocupações do governo da capitania. Tratava-se de uma fronteira marcada para a criação de gado, com aldeamentos indígenas, missões religiosas e concessões de sesmarias.

O comunicado oficial de Albergaria ao Reino é datado de 14 de maio de 1699, transformando-se, assim, no documento que oficializou, perante a Coroa e o Conselho Ultramarino, a ação de Teodósio, o aldeamento indígena e o topônimo Campina Grande.

Na carta, ao lado da referência a Campina, Albergaria traçava um panorama da conquista do interior, destacando a abundância de pastagens, aspecto que fazia do sertão paraibano uma área estratégica para a capitania e, naturalmente, para o reino.

As informações sobre Albergaria são poucas, em fontes digitalizadas. Porém, o documento fica para a história como uma espécie de certidão de nascimento do lugar Campina Grande, inscrevendo-o na documentação régia.


Sérgio Botelho é jornalista, escritor e memorialista.
https://paraondeir.blog/certidao-de-campina/