Preservar a memória e o patrimônio de João Pessoa, uma cidade para lá de 400 anos, é providência que vai muito além da valorização estética ou turística. É um exercício de reconhecimento da história como parte viva da cidade, que nos ensina, emociona e transforma (importa reconhecer que existem, hoje, muitas pessoas e instituições envolvidas com esse propósito).
Isso porque, ao estudar o passado e proteger o que ele nos deixou, criamos pontes entre gerações e cultivamos uma empatia histórica que humaniza o presente. Especialmente em nossa cidade, onde cada rua do centro histórico, cada igreja barroca, cada casarão antigo, guarda lembranças de gentes e estilos de várias épocas. Essas construções, mesmo silenciosas, falam.
E quando aprendemos a respeitá-las, passamos a olhar a cidade com outros olhos: com mais cuidado, mais respeito, mais pertencimento. A empatia histórica surge justamente quando entendemos que aquilo que hoje chamamos de patrimônio foi, um dia, vida comum de outras pessoas. Preservar é, portanto, uma forma de solidariedade com o passado, um gesto que reconhece a dignidade de quem construiu a cidade, não raramente com esforço, afeto e criatividade. Além disso, a preservação patrimonial está profundamente conectada à consciência ambiental.
Quando valorizamos o que já existe – edifícios antigos, materiais tradicionais, modos de vida que respeitam o clima e a geografia local – evitamos o desperdício, o consumo excessivo e a destruição desnecessária da paisagem urbana e natural. Essa prática de equilíbrio entre o antigo e o novo é o grande desafio – e, também, a grande riqueza – de João Pessoa. Não se trata de rejeitar o contemporâneo, mas de integrá-lo com inteligência e sensibilidade. Uma cidade que conhece e respeita sua história está mais preparada para inovar sem perder a alma.
Na foto, casario da Rua Maciel Pinheiro, vendo-se, em primeiro plano, a antiga Farmácia Londres, na esquina com a Rua 5 de Agosto.