Sérgio Botelho – A Paraíba foi visitada em 1839 (há divergências entre fontes) por um missionário metodista americano de nome Daniel Parrish Kidder, vindo mais imediatamente de Pernambuco. O meio usado por ele para se deslocar da província vizinha até a nossa merece capítulo especial, que vamos providenciar: uma jangada. Na cidade da Parahyba hospedou-se no sítio de um inglês que vivia nos arredores da urbe. Em seus passeios guiados pelo anfitrião, foi ver a Festa das Neves e não poupou críticas aos costumes católicos, filtrados por sua formação evangélica.
Tudo o que viu, desde que saiu do Rio de Janeiro, em junho, chegando à Amazônia, ele reuniu em um livro, lançado em 1845, com o título Reminiscências de Viagens e Permanência no Brasil – Províncias do Norte, reeditado pelo Senado Federal em 2008.
O Capítulo X do livro é a parte que se refere à Paraíba e dele extraio um comentário que serve para identificar a foto que ilustra o texto de hoje: o prédio do Erário ou do Tesouro ou dos Contos, na Praça do Erário, atual Rio Branco. “Os edifícios da cidade alta, a que acima nos referimos, não diferem muito do estilo comum às construções brasileiras, a não ser o prédio do Tesouro que apresenta uma escadaria excessivamente ornamentada”, escreveu Kindder.
A foto (do Acervo Walfredo Rodriguez) que temos é de 1910, revelando que décadas depois da visita do missionário o prédio ostentava ainda a mesma escadaria. Pelo que consta, até um incêndio, tido como criminoso, em 1916, depois do qual foi reconstruído sem grandes preocupações preservacionistas.
A construção original data do Século XVIII, no período em que a Capitania da Paraíba estava subordinada à de Pernambuco (1756 a 1799). Um prédio de estilo colonial, com diligências estéticas da época, que, lamentavelmente, não nos chegou preservado.