Sérgio Botelho – O jornal A União, de 12 de maio de 1940 veicula, entre as matérias de capa, a notícia sobre o auxílio do governo do estado ao Círculo Operário Católico de João Pessoa para a criação da Escola Noturna Pio XI.
A base doutrinária que orientou a criação dos Círculos Operários ao redor do mundo foi exposta em duas encíclicas. A primeira foi a Rerum Novarum, de Leão XIII, publicada em 1891, sobre a condição dos operários.
Nela, a Igreja Católica reconhecia a gravidade da exploração do trabalho, defendia salário justo, proteção à família, direito de associação e intervenção moderada do Estado, mas recusava a solução socialista baseada na supressão da propriedade privada.
A segunda foi a Quadragesimo Anno, de Pio XI, publicada em 1931, quarenta anos depois da Rerum Novarum. Nela, a Igreja reforçou a necessidade de uma ordem social cristã, fundada na justiça, na colaboração entre classes, na organização profissional e na moral religiosa
Foi mesmo a partir da década de 1930 que os Círculos Operários Católicos, no Brasil, se expandiram, à luz das duas encíclicas. Havia então o Círculo Operário Católico de João Pessoa, congregando cerca de 2.500 trabalhadores pessoenses.
O destaque dado pelo jornal oficial do governo ao auxílio do interventor Argemiro de Figueiredo revela a política de colaboração do Estado Novo com essas experiências de atendimento aos trabalhadores fora dos esquemas políticos à esquerda.
“Sendo o Círculo Operário escol da reeducação social, moral, intelectual, religiosa e cívica, ressentia-se imensamente dessa lacuna que o governo de Vossa Excelência, indo ao encontro dos ditames do Estado Novo”, agradecia o presidente do Círculo pessoense, Severino Lopes.
Em 29 de agosto de 1946, a escola noturna “masculina” Pio XI estava funcionando na Sociedade de São Vicente de Paulo, ligada à Igreja, conforme designação de professora para lecionar no referido educandário, providenciada pelo Departamento de Educação do estado.
*Sérgio Botelho é jornalista, escritor e memorialista.
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(Prédio à direita da foto é do antigo Círculo Operário em Jaguaribe)
Ao professor e historiador José Octávio de Arruda Melo meus sentimentos pela irreparável perda de sua esposa Amável.