Sérgio Botelho – A Fonte do Tambiá, localizada no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, Paraíba, é um marco histórico e cultural fortemente enraizado na cidade. Inaugurada em 2 de março de 1782, sua construção foi autorizada pela Provedoria da Fazenda Real, com o objetivo de melhorar as condições de fornecimento de água potável aos moradores.
Cerca de meio século depois, em 1831, toda a área em torno da fonte foi desapropriada pela Província, surgindo o parque. Depois, em 1889, ela foi reconstruída em pedra calcárea, justamente a versão física atual, que não está funcionando em virtude de obras de restauração já iniciadas há um bom tempo (a foto que ilustra o texto é da fonte, nesta quinta, 12.12.2024). No início da década de 1920, foi incorporada ao Parque Arruda Câmara (que acrescentou o Zoobotânico em 1980), nomeado em homenagem ao botânico paraibano, natural de Pombal, Manuel Arruda Câmara.
Desde 26 de setembro de 1941, a Fonte do Tambiá é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sendo inscrita no Livro do Tombo Histórico sob o número 176. Mas desde o século XVII, o primeiro a ser completamente vivido pela cidade que oficializou a Capitania da Paraíba, a Fonte do Tambiá, em seu formato natural, já servia ao abastecimento humano e animal à população da cidade.
Aliás, bem antes disso, aos potiguaras, que lhe batizaram. Segundo lenda indígena, após confronto entre as tribos Cariri e Potiguara, o guerreiro cariri Tambiá foi ferido em batalha e capturado pelos inimigos. Na aldeia em que ficou prisioneiro, Aipré, filha do cacique Potiguara, foi designada como “esposa da morte”, para cuidar de Tambiá, que deveria ser executado.
Contudo, Aipré se apaixonou por Tambiá e, após a execução, chorou por cinquenta luas. Suas lágrimas teriam originado a nascente que deu nome à Fonte do Tambiá, a própria razão de ser de todo o parque, que, desde o seu primeiro instante, foi construído em função dela. Tanto que, ainda hoje, o nome Parque Zoobotânico Arruda Câmara é usualmente substituído por “Bica”, sinônimo mais popular para fonte. Ninguém vai ao Parque. Todo mundo vai à Bica.