Sérgio Botelho – Na história urbana de João Pessoa, a década de 1920 marcou o período de maior beleza e afetividade — apesar da tragédia que vitimou o jovem casal Ágaba e Sady, fruto dos excessos morais da época — da atual Praça João Pessoa, então Praça Comendador Felizardo.
Naquele período histórico, a capital paraibana experimentou significativas mudanças em sua paisagem urbana, coroando esforços pós-República. A cidade se beneficiava do sucesso internacional do comércio do algodão, matéria-prima da qual a Paraíba era grande produtora.
A referida praça era endereço do Palácio do Governo, da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do Lyceu Paraibano, do jornal A União, e como toque de beleza arquitetônica, desde sua inauguração em 1919, do monumental prédio da Escola Normal.
Ali se misturavam, portanto, atividades administrativas, políticas, religiosas, intelectuais e educacionais, sem falar na parte lúdica, expressa pelo coreto e pelas retretas inesquecíveis à população da época, ao som das bandas do 22º BC e da Força Pública.
Antes do final da década, embora tenha sido corretamente arrancada uma grade que a cercava, o entorno perdeu a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, entre o Palácio do Governo e o Lyceu. Em 1930, após a morte do presidente João Pessoa, até o nome da praça mudou.
Em 1933, o coreto foi substituído pelo Altar da Pátria, monumento erguido em memória do líder pessoense morto. Enfim, em 1935, não mais Lyceu nem Escola Normal, quando ambos passaram a ocupar novos e amplos espaços na moderna avenida Getúlio Vargas.
A praça então iniciou outro capítulo, menos lúdico e mais político, de cenário menos belo e de vocação crescentemente mais confusa.
(Na explicação da foto desta segunda-feira, 08, onde se lia Rei do Congro, leia-se Rei do Congo. Na imagem de hoje, vê-se a praça ainda com o coreto).
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais. https://www.paraondeir.blog/praca/