A ruma de consulados na Paraíba entre os Séculos XIX e XX
24, maio, 2026
Sérgio Botelho – Em 30 de março de 1889, ainda no Império, o Jornal da Parahyba, que se definia como órgão do Partido Conservador, veiculava um aviso circular em nome da Presidência da Província, anunciando a reassunção de seu titular, ninguém menos que Silvino Elvídio Carneiro da Cunha, o famoso Barão do Abiahy.
Minha surpresa foi ver relacionados, entre os destinatários da circular, vários cônsules e vice-cônsules. Como podia haver tantos representantes diplomáticos na Paraíba daquela época, vizinha de um estado tão influente política e economicamente como Pernambuco, que, em tese, deveria absorver essas representações estrangeiras?
Entre os agentes consulares citados estavam representantes da Argentina, Bolívia, Paraguay, Itália, Espanha, Suécia, Noruega, Países Baixos e de Sua Majestade Britânica. Parecia uma província de elevada projeção mundial. Porém, ainda que sem exagero, a Paraíba exportava e importava diretamente, exigindo relações comerciais com o estrangeiro.
A presença dessas representações diplomáticas estendeu-se até as primeiras décadas do século XX, acompanhando especialmente o boom da produção algodoeira. Mas a Paraíba também exportava açúcar e, em menor escala, couros, fumo, óleos e outros gêneros agrícolas ou extrativos. Em contrapartida, importava máquinas, ferramentas, tecidos, ferragens, artigos finos e diversas outras mercadorias.
Em meio a esse comércio com o exterior, os consulados intermediavam interesses comerciais entre empresários locais, negociantes estrangeiros e, naturalmente, governos. Além disso, a navegação de longo curso exigia documentação específica e assistência às tripulações.
Convém assinalar, por fim, que esses corpos diplomáticos não eram integrados exclusivamente por diplomatas de carreira, mas também por comerciantes, agentes de navegação e profissionais liberais. Isso incluía tanto estrangeiros, geralmente ligados a negócios na cidade, quanto brasileiros, o que facilitava o recrutamento dessas representações.
(Foto: Porto do Varadouro)
Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais. https://www.paraondeir.blog/consulados-na-paraiba/