terça-feira, 3 de março de 2026

Abdias dos Oito Baixos

3, março, 2026

Sérgio Botelho – No dia 3 de março de 1991 falecia no Rio de Janeiro um ilustre músico paraibano, natural de Taperoá, cujo nome de batismo era José Abdias de Farias, e seu instrumento musical a quase rudimentar sanfona de oito baixos.

Seu nome ficou para sempre ligado, no mundo da música nordestina e brasileira, tanto à concertina (um apelido para a sanfona de oito baixos) quanto à icônica Marinês, com quem foi casado por toda a sua vida.

Em “Respeita Januário”, o mestre Luiz Gonzaga já havia popularizado o instrumento, ao se referir ao seu fole prateado de 120 baixos. “Luí, respeita os oito baixos do teu pai”, foi alertado quando de passagem por Granito, em Pernambuco.

Segundo procurei saber, no Nordeste, especialmente na Paraíba, no Ceará e em Pernambuco, a pé-de-bode, outro apelido para a sanfona de oito baixos, foi instrumento de feira e de festa de sítio. Portanto, mais popular.

Abdias era um dos mais famosos mestres do fole de oito baixos (além de seu Januário, é claro!). Além disso, atuou como cantor, compositor e também produtor musical, o que amplia seu papel para além do palco.

O casamento com Marinês, nascida no Sertão de Pernambuco, mas criada em Campina Grande, aconteceu em 1949, quando ela tinha 14 anos e ele 17. A partir daí, até a morte, nunca deixaram nem a parceria conjugal nem a artística.

Segundo registra o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, em 1957, eles participaram do filme “Rico ri à toa”, na canção “Peba na pimenta”, de João do Vale, José Batista e Adelino Rivera. Foi um sucesso!

Ainda segundo o Cravo Albin, como produtor, produziu o Trio Nordestino e Jackson do Pandeiro e a própria Marinês. Em 1982, o cantor e compositor paraibano Vital Farias compôs, com Livardo Alves, “Forrófunfá (Abdias dos Oito Baixos)”, em sua homenagem, contando com sua participação na gravação, tocando o fole de oito baixos.


*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
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