Sérgio Botelho – Neste domingo, 04, abordei a existência, na década de 1910, de um hipódromo que funcionou em Jaguaribe. A atual rua Primeiro de Maio chegou a ser apelidada de Rua do Hipódromo.
A cidade, na época, buscava se modernizar de todas as formas, desde a funcionalidade e embelezamento de ruas e logradouros, até os costumes. O turfe, que já existia nos grandes centros do país, foi uma dessas modernidades.
Reunidos os pré-requisitos, como investidores, vital apoio do poder público (terreno, isenções tributárias, logísticas), o Prado Parahybano começou a sair do campo das ideias para o da efetividade.
Para sobreviver e justificar os gastos dos investidores, o equipamento precisava, naturalmente, dar retorno financeiro. Um dos meios vinha de operações com cavalos, outro da venda de ingressos. A gestão de apostas, item fundamental, completaria a rentabilidade do negócio.
O sucesso de outros turfes no país, com destaque para o Rio de Janeiro, enchia os olhos dos capitalistas. Assim, sem que fossem levadas em conta as diferenças do público, daqui e de alhures, no quesito financeiro, em 1917 o hipódromo de Jaguaribe foi posto em operação. Não durou mais do que três anos. Um dos motivos aparece exposto no trabalho acadêmico Modernidade, Esporte e Lazer na Cidade da Parahyba do Norte-1908-1925, de João Paulo Ribeiro de Souza, da Universidade Federal de Campina Grande.
Desde os páreos da inauguração que apostas correram soltas no meio da arquibancada, conduzidas por particulares. Logo surgiram “empreendedores” a promoverem apostas paralelas comprometendo a receita do prado.
O hipódromo, que já ostentava, em sua parte central, um campo de futebol, ainda seguiu funcionando até início dos anos 1920. Mas, desde 1919 que o campo passou a ser arrendado para a prática do futebol.
FOTO: Campo de futebol no espaço do hipódromo, quando área do Esporte Clube Cabo Branco, em Jaguaribe, publicada no site SóEsporte, ilustrando artigo do jornalista Petrônio Souto, intitulado “Estádio do Esporte Clube Cabo Branco”. *Sérgio Botelho é jornalista, escritor, memorialista e membro do IHGP. https://paraondeir.blog/apostas-paralelas/